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domingo, 27 de julho de 2014

Solidão existencial

Oi pessoal vou escrever como foi meu dia hoje...

Hoje estou abstinente, comi nos horários planejados e não ingeri açúcar.

Comecei meu dia entregando minha vida a Deus. Eu sempre peço a Deus para ficar magra, para não comer compulsivamente, e peço isso e mais aquilo e mais aquela outra coisinha.
Porém ontem eu recaí e pensei, por quê Deus não me concede o que eu peço?

Então me dei conta que eu to pedindo muito ao invés de simplesmente entregar minha vida a ele, ter fé de que Deus vai me cuidar e que o resto é com as ferramentas que ele me entrega.
Por isso acordei e entreguei minha vida à Deus, para ele cuidar de mim durante esse dia, e ele cuidou!

Eu fiquei tão feliz que eu não estava mais precisando cuidar de tudo que fui em um almoço e me senti cuidada e isso fez com que eu comece dentro do meu plano alimentar.
À tarde, quando fui para a rodoviária para voltar pra casa me senti sozinha como sempre me sinto nesses momentos, pensei em comer doces e então pensei que eu tinha Deus e conversei um pouco com ele. Não foi fácil, senti muita coisa e o sentimento mais presente foi a solidão existencial, ou seja, sabe quando mesmo acompanhada de muitas pessoas você vê que não tem ninguém?
Você percebe que nunca alguém vai pensar como você, sentir como você, compreender o mundo da mesma forma que você? Isso é o que nos torna únicos e solitários e eu senti essa solidão o dia todo.

Talvez essa solidão sempre tenha me acompanhado mas eu sempre comi e nunca admiti minha solidão existencial.

Isso parece desesperador, mas na verdade não é, ou seja, posso pensar a partir disso, que sempre vou sentir isso, uns dias sentirei mais, outros nem lembrarei dessa solidão, mas quando ela vier não vou precisar comer, até porque acredito que todo mundo passa por isso. Uns não enxergam, outros enxergam e negam, outros enxergam e se incomodam, e outros enxergam e aceitam...

Um abraço,
M.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Solidão

Olá pessoal,

Estou muito triste hoje. Foquei no meu artigo e finalmente ele andou mais que nunca e apesar de ter comido açúcar eu não estou preocupada em recomeçar.
Porém comecei a pensar... o que fez eu perceber que aquele alimento tinha açúcar e mesmo assim come-lo? Porque eu busquei o açúcar?

Então passei o dia todo me sentindo triste e vi que minha tristeza está diretamente ligada à solidão e convenhamos que o açúcar pode muito bem servir de afeto e a gordura em minha volta podem ser as companhias que me faltam. Interpretações à parte me dei conta, desde ontem tenho pensado nisso, que sempre SEMPRE sempre, me senti sozinha, infelizmente, apesar de ter um irmão que amo e que sempre esteve do meu lado, meu mundo sempre foi isolado e tive que aprender a viver só. Digo isso porque desde ontem recordei que com 9 anos tive uma paralisia que ia da metade do meu rosto até o meu braço, minha mãe me levou em vários neurologistas e ninguém sabia explicar (hoje sei que a psicologia chama isso de crise conversiva, ou seja, uma paralisia emocional). Ninguém sabia explicar a causa apenas sabiam que algumas medicações poderiam ajudar. Lá fui eu tomar vitamina B e cortisona. Eu não conseguia comer alimentos sólidos porque como parte do meu rosto estava paralisado os músculos da boca não contraiam a ponto de deixar a comida dentro dela. Um de meus olhos não piscavam e era preciso usar uma pomada a fim de lubrificar o olho para eu não ficar cega. Me lembro como se fosse hoje, minha mãe tentou me dar as medicações mas ela se desorganizou, se perdia nos horários. Então eu, com 9 anos, fiz uma tabela onde coloquei o horário de todas as medicações e eu mesma cuidei do meu tratamento. Do meu pai e meu irmão eu não me recordo, então pelo que parece eles não se envolveram nisso, meu irmão provavelmente por ser pequeno como eu e meu pai por estar preocupado em pagar o tratamento ou sei lá eu o que.
Fiz todo o tratamento e aos 12 anos tive a mesma paralisia e mais uma vez eu mesma me tratei.

Sabem porque eu contei essa história? Falei dela não para ficarem com pena de mim e sim para eu enxergar a minha realidade, fui criada só, e foi justamente nessa época (9 anos) que comecei a engordar, talvez a comida fosse a única companhia e afeto que eu tinha. Acredito que ela funciona assim até hoje e estar encarando uma nova forma de viver, ou seja, me desprender do afeto da comida e da companhia da gordura é bem desafiador. A única coisa que sei é que não quero mais esse tipo de afeto e de companhia, mesmo que eu tenha que encarar minha solidão para o resto da vida.

Hoje o sentimento de solidão foi muito presente novamente, estou sem falar com minha família a 7 dias e a última vez que falei fui eu quem liguei, porque eles nunca me ligam, podem passar meses e sei que não vão me ligar. O mesmo acontece com meu namorado, ele foi para a casa dele (em outra cidade) no domingo, hoje é terça e ele ainda não me ligou, pelo visto ninguém quer saber como esta indo meu mestrado, como eu estou e muito menos não estão se preocupando se eu estou precisando de carinho ou não.

Sei que isso parece um poço de lamentações, afinal se eu quero carinho é só eu ligar. Mas aí que está a questão, eu sempre ligo, sempre vou atrás e por incrível que pareça parar de comer compulsivamente está fazendo eu perder a vontade de investir neles todos. Até mesmo o meu namorado que sempre que eu ligo é carinhoso e atencioso, eu tenho pensado, será que vale a pena? Vou ter que sempre fazer o movimento de ir buscar, será que nunca vou ter alguém que também queira me dar algo antes de eu pedir?

É estranho dizer isso, mas vejo que estou reproduzindo com meu namorado o que sempre vivi com minha família e definitivamente não sei se é isso que quero pra mim. Não vou tomar nenhuma atitude precipitada, isso são impressões de um dia que estou me sentindo solitária. Vou esperar e orar e deixar que Deus cuide de mim como sempre tem cuidado e aos poucos as cosias vão ficar mais claras para mim.

Sobre a comida, cheguei a pensar em comer mais açúcar no dia de hoje, mas também pensei que isso não ia me ajudar em nada, se eu comece açúcar eu ia acabar não fazendo o artigo, ia ficar deitada na cama e ia colocar a culpa de tudo que estou sentindo em cima da comida. Então segui meu plano. Continuo sem apetite e acabei de fazer uma janta que consegui comer apenas 1/4 do que preparei. Estou meio enjoada e acreditem apesar de toda a tristeza tem um lado meu que está feliz, porque finalmente estou tendo lucidez a respeito de Eu no Mundo. A comida já não é mais todas as minhas respostas.

bjs M.