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terça-feira, 22 de julho de 2014

Pernas finas e agora?

Oi meninas tudo bem?

Não sei porque, mas desde ontem tenho pensado nos padrões de beleza e estou a fim de estudar um pouco mais sobre isso. Nasci com pernas finas e isso sempre foi um problema pra mim. Minha mãe uma vez me chamou de perna de rã e mesmo isso tendo acontecido uma vez só, ficou gravado na minha memória até hoje, penso que nunca vou esquecer. Em outro momento uma colega da faculdade disse que eu era igual a uma batata com uns palitos cravados, apesar de ela ser muito minha amiga ela não percebeu o que estava falando e muito menos que estava me machucando e eu é claro, acreditando fielmente nos padrões de beleza, não revidei, apenas lamentei ter nascido assim.

Também já contei a vocês que outro dia, uma colega da minha pós graduação veio me perguntar se eu estava querendo emagrecer e me sugeriu uma nutricionista "ótima", eu desconversei e mais uma vez me senti invadida e abusada, por um padrão de beleza imposta e inatingível, porque afinal nunca terei bunda grande e pernas grossas, e até posso emagrecer mas meu corpo vai continuar desproporcional.

Fim de semana passado meu pai me olhou e falou a seguinte frase: "tu estas mais magra, tá bonita, poderosa hein!". Vocês percebem o preconceito embutido em todos os diálogos? Seria o mesmo que dizer para um negro: "tem um tratamento com dermatologista pra ficar branco, posso te indicar, ele é ótimo", ou então, "tá ficando branco hein, ta ficando bonito, tá poderoso hein!". Ou seja, existem características e padrões sociais inatingíveis e diariamente, gordos, negros, pobres, carecas, narigudos, etc. são torturados e desrespeitados.

Não quero dizer que não quero emagrecer, mas quero isso como consequência de hábitos saudáveis que estou adotando, o emagrecimento é por isso e não ele por si só, como um abusca infundada de me encaixar em um padrão impossível.

Desse modo andei olhando alguns livros na internet que quero começar a ler e começar a encarar os padrões sociais de forma mais crítica. Vou até me dar um livro de presente hoje mesmo, ele se chama: "A beleza impossível  da Raquel Moreno pela editora Ágora.

Digo tudo isso, porque muitas vezes me encontro reproduzindo esses padrões de beleza, como se eu entrasse na roda do mundo. Fiz de tudo para me enquadrar, dietas malucas, fiquei loira, tirei seios, lipoaspiração, remédios para emagrecer até me tornar dependente. Não quero mais isso, quero apenas ter uma alimentação saudável e ficar tranquila quanto aos aspectos alimentares, porque se eu tiver paz nesse aspecto o resto é consequência.

Abraço M.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Costura rasgada

M. acordou como um dia normal, vestiu sua roupa e pegou seu casaco tamanho 46.
M. se sente linda no casado, ele é roxo e comprido, perfeito para os dias de inverno. Ele também lhe deixa acinturada e fica com um charme muito especial.
Como de rotina M. está toda arrumada pronta para sair, então lembra que precisa pegar o lixo.

Vai até a área e se abaixa para pegar quatro sacolas pequenas de lixo, então ela escuta um barulho que vem de seu casaco. Aquele barulho de costura rasgando.

Logo tira o casaco para ver o que tinha acontecido, por fora estava intacto, mas M. sentia que não estava mais tão justo como antes.

Eis então que olha por dentro, a costura interna tinha ido pro saco!

M. não quer mais passar por isso, não quer aumentar mais um número.

M. saiu se sentindo bonita com o casaco, porém sabe que se continuar assim, o casaco não lhe caberá mais.

sábado, 21 de junho de 2014

A menina machucada

M. era uma menina machucada. Sua dor vinha do filho que não tinha...

Explicarei melhor.

M. nunca teve vergonha de andar na rua, sempre alegre pelo mundo, porém quando M. começou a engordar percebeu que apenas uma parte de seu corpo crescia, sua barriga.
A pernas finas, o ceio grande (que sempre teve), os braços meio grossos, a barriga oval, grande e pra frente.
Logo vieram as perguntas:
- pra quando é o bebê?
- por que tu não entra na fila das gestantes?
- é menino ou menina?
- ah, tu és a grávida do andar?

M. convive com esses cometários a 6 anos, todos à tratam como A grávida, e ficam feliz pois ela vai ser mãe.
M. volta para casa e chora, sabe que não carrega um filho. É seu corpo deformado de tantos mal tratos que cometeu a si mesma.

M. se entristece e fica com medo de sair na rua.

M. perde as esperanças e pensa que assim é difícil viver.

M. vê uma foto de quando era criança, magrinha e feliz. M. decide tentar e encarar o mundo.